sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Desafio Skoob Setembro: Quem você é? (Carla Cristina Ferreira)

Nossa avaliação - 8.5

Dando continuidade ao desafio do Skoob deste mês, hoje é a vez de trazer mais um livro de Tess Gerritsen: “Dublê de Corpo”, o quarto livro da série Rizzoli & Isle, publicado pela Editora Record.

Para quem pensou que a detetive Jane Rizzoli iria sair de cena por causa de sua atual condição, se engalou; Rizzoli continua tão obstinada em capturar os criminosos quanto antes. Porém, desta vez, a trama tem foco na Rainha dos Mortos, a Dra. Maura Isles, que passou a ter um pouco mais de destaque em “O Pecador” e agora retorna para desvendar um pouco do seu passado.

Maura se surpreende ao retornar de viagem e encontrar a polícia em sua rua, investigando um curioso homicídio: a vítima é idêntica à própria Rainha dos Mortos. A misteriosa ‘dublê de corpo’ acaba se confirmando sua irmã gêmea, levando Maura e Jane não apenas em busca do assassino, mas a uma torturante viagem a verdadeira origem de Maura.

Criada como filha única, mesmo descobrindo posteriormente que era adotada, Isles começa a questionar o rumo que sua vida tomou e se há alguma explicação genética para isso. Ela precisa descobrir quem ela é, mas para isso precisará descobrir uma dura verdade sobre seus pais biológicos.

A trama se complica quando, ao seguir os passos de sua falecida irmã, Maura acaba desenterrado mais do que o seu passado: duas ossadas são encontradas próximas à casa que pertencera a sua família. A situação se piora quando o responsável por tal crime não apenas cometeu outros assassinatos como ainda continua na ativa.

Foi interessante conhecer um pouco mais desta mulher de aço e supostamente inatingível e ver até que ponto o passado e as origens definem quem você é ou poderia ser. Interessante também foi acompanhar “as privações” pelas quais Jane teve que passar no seu atual estado e como em parte acabei de identificando com ela: a sensibilidade, as mudanças corporais...

Mas o mais importante foi acompanhar o desenrolar de dois crimes distintos e em como eles acabaram se conectando, embora não se perceba isso durante a leitura. Talvez o único ponto, não necessariamente negativo, mas pelo qual esperava um desfecho diferente, tenha sido com relação ao desfecho escolhido para o serial killer. Não me entendam mal, gostei do fim dado por Gerritsen, mas confesso que esperava uma participação maior, principalmente de Rizzoli, ao capturar o assassino.

Se você ainda não leu os demais livros da série Rizzoli & Isles, confira abaixo a resenha dos volumes anteriores:

“O Cirurgião” – livro 01
“O Dominador” – livro 02
“O Pecador” – livro 03


No mais, rumo ao quinto livro, pessoal! 


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O destino é como uma pauta musical que se reescreve sozinha (Lucyclenia)


Nossa Avaliação - 100
"A Última Nota" é narrado em primeira pessoa pela personagem Alícia Mastropoulos, uma jovem violonista, filha única de uma família grega tradicional, residente no Rio de Janeiro e que teve a vida sempre controlada pelos pais Mas Alícia é sonhadora e herdou o dom musical de seu avô e, atualmente cursando Música na faculdade, contra a vontade dos seus pais, conseguiu um cargo muito importante: Spalla, a principal violinista da orquestra. 

O que seus pais querem mesmo, é que ela encontre um bom partido, se case e construa sua própria família e Alícia tem até um namorado há três anos, Théo, mas não se sente mais tão bem, até porque o namoro foi meio que arranjado pela família e ela não quer viver uma vida presa a Théo e sim ter libertade e fazer o que seu amado avô fez: viver pela música e para a música. 

Mas Alícia não tem força de vontade para ir contra os pais, portanto segue os costumes rígidos e faz tudo que eles mandam: trabalha arduamente no restaurante da família e divide suas incertezas com sua única amiga, Carol. Até que no dia de sua apresentação com a Orquestra, ao tocar uma composição de seu avô e errar a última nota, Alícia recebe uma ligação de um hospital, onde um rapaz desconhecido e sem memória, de olhos azuis expressivos, chama por ela, e é a partir dai que sua vida muda para sempre.

"Eu ainda não tinha tocado as três últimas notas quando uma lágrima que teimava em cair finalmente deslizou pelo canto do meu olho. Ela rastejou lentamente pela minha face esquerda e caiu sobre o violino. Delicadamente, correu pelo cavalete e se instalou no tampo, ressoando a amplitude da nota mais grave em vez da mais aguda." Pág 28

O livro nos faz refletir sobre a nossa vida, coisas que fazemos só pra agradar aos outros sem pensar na nossa própria felicidade, tradições que são impostas a nós, seja pela família, seja pela sociedade, e como isso dificulta a nossa vida e pode acabar com a nossa individualidade, com quem realmente somos.

Há também uma metáfora com a música e quão incerto é o nosso futuro. Ele é como uma música que flui sem que nós percebamos e conforme a música se desenvolve, cresce, surpreende, também no nosso caminho há coisas que acontecem que desconhecemos e jamais saberemos o porquê. 

Os sentimentos de Alícia são tão bem construídos que atordoam. Ela é o tipo de personagem impossível de não amar, sempre buscando a si mesma e era com muita pena e frustração que eu deixava o livro de lado para me dedicar à faculdade. A cada capítulo, eu ficava ansiosa pelo que viria a seguir.

Eu vi o meu reflexo inteiro; tão bela como ele me fazia sentir, tão Alícia quanto eu era quando estava com ele. Mergulhei no azul de seu olhar sem me preocupar com a profundidade do oceano. Enquanto eu explorava a dimensão do meu desejo por ele, suas emoções vieram à superfície tão à flor da pele que sua hesitação foi minha certeza, e sua certeza foi minha também. Eu desmanchei ao seu toque cálido e terno, e ele me refez menos menina e mais mulher." Pag. 191

Recheado de mistério, romance e suspense, "A Última Música" também entrou na minha lista de favoritos. Esta dupla perfeita de autores, Felipe Colbert e Lu Piras, conseguiu me arranca risos e lágrimas nesta historia fantástica. 

Deveria virar filme, com certeza. 


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O começo do fim (Renata Lima)

Oi, gente,

Segue a resenha do primeiro livro para o Desafio do Skoob desse mês (Tema: Séries). O segundo é "Apocalipse Z" do Manel Loureiro cuja resenha fechará o mês de setembro!
"A maioria das pessoas pensa que o mais assustador é saber que vai morrer. Não é. É saber que você pode ter que assistir a todo mundo que você já amou ou mesmo apenas gostou definhar e não poder fazer nada."
Nossa Avaliação - 8.0
Kaelyn é uma jovem normal enfrentando um ano letivo complicado. Ela saiu da ilha em que morava, foi para Toronto com a família por cinco anos e teve que voltar para a mesma ilha para terminar o Ensino Médio, mas com uma diferença: ela não tem mais seu melhor amigo, o coreano Leo, que se mudou da ilha para estudar dança em Nova York.

Enfrentando um certo preconceito por não ser tão branca quanto os moradores da ilha e preocupada em se ajustar, buscando ser mais extrovertida, Kaelyn faz amizade com Rachel, com quem tem que fazer um trabalho, e tenta se aproximar de Tessa, a namorada de Leo que também ficou na ilha.

Os dias passam e uma gripe começa a se espalhar pela ilha, vitimando Rachel e obrigando Kae a ficar em casa, isolada com a família: o pai, um cientista que passa a ajudar no controle da doença, a mãe, que trabalha em plantões na loja de conveniência de um posto de gasolina e o irmão Drew, que tem uma relação conturbada com o pai desde que revelou que era homossexual.

Logo a doença vai evoluindo e fazendo as primeiras vítimas, os hospitais ficam lotados, a Organização Mundial da Saúde impõe uma quarentena, não há mais escapatória. E, claro, a partir dessa quarentena uma série de eventos é desencadeada e a sociedade como a conhecemos é colocada em risco quando grupos começam a saquear tudo que encontram pela frente na tentativa de sobreviver.

Kae conhece então Gav e junto com ele, Tessa e Meredith, sua prima de sete anos, eles precisam sobreviver à gripe, aos malfeitores, à quarentena e às limitações impostas (como a falta de informações de fora da ilha, a escassez de suprimentos, de luz e de água potável).

Narrando através de cartas, cartas essas que Kae escreve para Leo em seu caderno, sem nunca ter a certeza de que um dia ele virá a recebê-las, a autora canadense Megan Crewe nos conduz muito lentamente por um caminho sem volta e creio que essa tenha sido mesmo a intenção desse primeiro livro. Tudo estava normal, até não estar mais, e a cada dia piora.

A narrativa flui bem, o livro é interessante, a história prende. A Intrínseca optou por manter as aspas na hora dos diálogos, evitando os travessões, e nem senti estranheza nisso. Fiquei um pouco na dúvida na hora de caracterizá-lo, porque é um YA misturado com ficção científica e distopia, mas não faz muita diferença no fim das contas!

A Intrínseca ainda não se pronunciou sobre a publicação dos próximos dois livros, mas imagino que saiam no ano que vem ou assim espero!



sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Desafio Skoob Setembro: Um dia da caça, outro do caçador (Carla Cristina Ferreira)


Continuando o nosso desafio de setembro...

No início do ano falamos dos dois primeiros livros de Jeff Lindsay que traz como protagonista o especialista em borrifos de sangue da polícia de Miami e, nas horas vagas, o serial killer Dexter Morgan: “Dexter – A Mão Esquerda de Deus” e “Querido e Devotado Dexter”. Agora chegou a vez de “Dexter no Escuro”, terceiro livro que traz o carismático personagem.

Nossa avaliação - 8.5
Tudo corre bem na vida de Dexter agora que finalmente não precisa mais de preocupar com o sargento Doakes e para aliviar a tensão pré-casamento, ele decide dar um passeio à luz da lua levando como sempre seu Passageiro Sombrio. O problema é que o escolhido da vez para este passeio noturno não é qualquer um e sua escolha terá consequências.

As coisas começam a ficar estranhas quando, ao investigar a cena de um crime, nosso serial killer sente uma presença que faz os pelos da nuca se arrepiarem, mas ao questionar o Passageiro Sombrio ele percebe que este se sentiu ameaçado e saiu de cena de fininho, deixando Dexter completamente sozinho e sem ideia do que está acontecendo.

A partir daí a vida de Dexter começa a virar de ponta cabeça... Ele não tem mais aquela vozinha que lhe dava dicas sobre os crimes cometidos, seus autores e suas intenções. Pela primeira vez Dexter se vê completamente no escuro, literalmente.

“Para onde tinha ido meu Passageiro, e por quê? Será que voltaria? E essas perguntas me levaram a uma especulação mais alarmante: o que era o Passageiro e por que vivia dentro de mim?
Era meio decepcionante perceber quanto me definia por algo que não era eu mesmo – ou será que era? Talvez o Passageiro fosse apenas uma construção doentia de uma mente traumatizada, uma teia feita para capturar pequenos pedaços de uma realidade filtrada e me proteger da terrível verdade a respeito do que eu era.”

 Para piorar, no meio desta escuridão ainda é preciso lidar com detalhes insuportáveis do casamento que se aproxima e dos seus enteados, Astor e Cody que a cada dia se conectam mais e mais com as suas próprias sombras.

Sem saber, Dexter acaba se transformando de caçador à caça tendo que lidar sozinho com um demônio de mais de 3 mil anos, chamado Moloch, que aparentemente quer devorá-lo.

Dexter e demônio, esta combinação funciona? Bem, para mim deu super certo. Foi divertido ver o nosso monstrinho perdido sem seu companheiro sombrio, tendo que se virar nos trinta; sem contar as sacadas espirituosas de sempre que sempre me fazem rir sozinha. Até o momento o melhor livro do nosso serial killer, apesar de não ser o mais violento/sangrento.


Sem dúvida, vale a pena conferir!