quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Romance água com açúcar com uma pitada de comédia (Renata Lima)


Hoje voltamos a falar dos irmãos Sullivans da série Os Sullivans de Bella Andre publicada aqui no Brasil pela Novo Conceito. Como esse é o oitavo livro, se você ainda não leu nenhum sugiro voltar lá atrás nas resenhas de "Um Olhar de Amor" e "Por Um Momento Apenas". Se você já leu e parou na metade, sugiro dar uma olhada na resenha do livro que você parou. Aqui tem "Não Posso me Apaixonar" e "Só Tenho Olhos pra Você" e aqui tem "Se Você Fosse Minha", "Quero Ser Seu" e "Perto de Você".

É importante lembrar que são 8 irmãos, então esse livro praticamente encerraria a história de todos os irmãos da família Sullivan, mas a autora resolveu continuar a série falando da matriarca da família Sullivan, Mary, e de primos distantes que apareceram uma vez ou outra durante a série em cerimônias de casamento, natais etc.

Nossa avaliação - 7.5
No livro de hoje, "Em Meus Pensamentos", conhecemos a história da Mazinha Lori Sullivan, gêmea da Boazinha Sophie (que tem a história contada no livro 04). 

Lori sempre foi a mais espevitada dos Sullivan. Decidida e hiperativa, Lori é coreógrafa e bailarina de artistas famosos, mas um revés em sua vida pessoal a leva até uma cidadezinha do interior onde ela descobre que o cowboy Grayson Tyler (olha essa capa!) precisa de uma pessoa para trabalhar como faz-tudo em sua fazenda.

Apesar da falta de experiência de Lori, Grayson a desafia a executar várias tarefas e se ela for bem-sucedida ficará com a vaga. Para sua completa surpresa, a obstinação de Lori faz com que ela passe nos testes e ele agora precisa aturar essa mulher linda dentro de sua própria casa.

Se por um lado a convivência dos dois é cheia de momentos conflitantes, Lori demonstra ter a personalidade forte que apareceu em todos os livros, não desistindo do objetivo de ficar na fazenda mesmo quando Grayson, tentando se livrar dela, a incumbe da árdua tarefa de limpar o cercado dos porcos. Grayson precisa que ela vá embora porque já teve o suficiente de sofrimento quando estava em Nova York e não está disposto a deixar Lori e sua beleza estonteante derreterem seu coração gelado.

O problema do livro, na minha opinião, está no motivo pelo qual Lori, uma mulher sempre tão independente e esperta, cogita desistir da carreira dos seus sonhos, abandona tudo e parte nessa jornada que a leva até Grayson. O relacionamento dela com o namorado já era criticado pelos irmãos em quase todos os livros e só anos depois ela descobriu que o cara era um canalha? E quando descobre, ela foge? Não faz sentido. Ela tinha um show em curso em Chicago!

Apesar desse probleminha, o livro é bom, tem partes muito engraçadas e momentos "own" como se espera de um livro de romance. Obviamente o livro engata a partir do momento que os dois resolvem finalmente ceder às tentações e cair nos braços um do outro. Daí em diante o livro flui bem rápido e a gente realmente passa a torcer para que o casal se entenda, para que Grayson consiga superar o que houve em seu passado e para que Lori acredite no amor, portanto não foi uma perda de tempo!

Como eu disse antes, o próximo livro contará a história da matriarca da família, mas a partir do 10o livro, Bella Andre vai explorar a história dos Sullivans de outros estados dos EUA. Não sei se vou seguir a série dos primos Sullivan, mas como ainda temos mais um livro dessa família de São Francisco, voltarei com pelo menos mais uma resenha para vocês!

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O diário de Cotoco (Carla Cristina Ferreira)

Nossa avaliação - 8.0

Faz alguns anos o povo não parava de falar em “Cotoco” pra lá, “Cotoco” pra cá, mas na verdade só apresentei algum interesse pelo livro depois da bienal do ano passado, quando o livro estava sendo vendido por R$ 5,00 pela Editora Intrínseca. Coloquei na minha listinha de leitura e só agora peguei o dito cujo para ler e ao mesmo tempo morrer de rir.

Escrito por John van de Ruit, o livro conta em forma de diário o ano sabático de John Milton, um menino de 13 anos que passa a viver em um internato, dividindo o dormitório com os “oito loucos”, meninos da mesma idade apelidados de Rambo, Cachorro Doido, Barril, Rain Man, Lagartixa, Esponja e o nosso Cotoco, apelidado desta forma, pois ainda não possui pelos nas partes íntimas pouco desenvolvidas.

Ao longo do livro nos deparamos com situações hilárias de Cotoco e seus amigos: mergulhos noturnos, sessões espiritas, trotes de aniversário, além de situações pra lá de constrangedoras com os pais lunáticos do menino e sua avó gagá.

É engraçado e interessante ver a mente de um menino de 13 anos lidando com o amor, a atração, a fidelidade e as amizades, além de desejar que os pelos de seu saquinho apareçam logo e descobrir qual é o barato de tocar punheta. Afinal, todos os seus amigos são mais desenvolvidos e ficam contando vantagens sobre suas experiências sexuais.

O mais interessante talvez seja a época na qual a história se situa: 1990, África do Sul, libertação de Nelson Mandela. Isso é o suficiente para dar um plus na vida de Cotoco que fica fascinado com a força desse líder que ficou 27 anos preso, tanto que decide se tornar um guerrilheiro conta o apartheid, o que é o suficiente para deixar seu pai mais louco do que de costume.

A vida de Cotoco fica ainda mais interessante quando o menino começa a se relacionar com o sexo feminino... Sereia, Amanda e Christine são o estopim para fundir a cuca do garoto.

Mas o mais bacana do livro é ver o quanto o moleque gosta de ler e suas reações aos títulos que passam por suas mãos, incluindo “O Velho e o Mar”, “Ardil 22” e “O Senhor dos Anéis”.

Tudo bem que eu esperava um final completamente diferente, mas não menos interessante. Talvez eu precisasse de alguns capítulos a mais, ou outro livro para conseguir fechar esse ciclo que o jovem John Milton abriu em minha vida, mas não fechou.


Uma leitura leve, descontraída e super-recomendada.


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Um livro que realmente evolui! (Renata Lima)


No primeiro livro da série "A Desconstrução de Mara Dyer", de Michelle Hodkin, conhecemos a jovem Mara Dyer. Aos 17 anos, Mara se recupera de uma tragédia que soterrou sua melhor amiga Rachel, sua colega Claire e seu namorado Jude. Como única sobrevivente e depois de dias em coma, Mara não se lembra do que houve. Para poupá-la seus pais decidem se mudar para a Flórida tentando deixar tudo para trás. A mudança, no entanto, pouco ajuda e Mara desenvolve o que ela acredita ser TEPT, Transtorno de Estresse Pós-Traumático, manifestado através de alucinações visuais e auditivas e de um "dom" perigoso que ela pode estar desenvolvendo.

Nossa Avaliação - 8.5
Na Flórida, Mara conhece Noah, com quem virá a ter um relacionamento intenso e cheio de revelações que culminam no fim do primeiro livro, quando Mara tem outra revelação chocante e acaba acordando mais uma vez no hospital. 

A única coisa que ela se lembra é de ter visto Jude, o ex-namorado que ela acreditava ter morrido no desabamento do sanatório. Agora, sabendo que pode matar com a força do pensamento e que Noah tem o dom de curar as pessoas, Mara tem que fazer de tudo para não ser internada em uma espécie de casa de repouso/centro de reabilitação juvenil e, ao mesmo tempo, Mara precisa agir junto com Noah para evitar que seus irmãos e seus pais virem alvo de Jude, se é que ele está mesmo de volta, e das pessoas perigosas e inescrupulosas que aparecem em seu caminho.

Não quero revelar muito do livro com medo de soltar spoilers para quem ainda não o leu e para quem ainda pretender ler o primeiro livro da série.

Eu disse que o que eu mais tinha gostado no primeiro livro era que a história era envolvente e que as páginas passavam muito rápido. O ritmo se mantém nesse livro e acho que a autora acrescentou um ingrediente que tornou esse livro melhor do que o primeiro: a dúvida que permeia a sanidade ou a insanidade da personagem principal, o passado de Noah, o que os une e ao mesmo tempo os separa.

A revisão do livro melhorou consideravelmente. Ainda há problemas de grafia, mas graças a Deus não há frases sem sentido! Gosto muito das capas que, com certeza, deixa o leitor tão instigado que dá vontade de emendar um livro no outro. 

Infelizmente o livro três "The Retribuition of Mara Dyer" ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. Eu tinha lido que seria em dezembro, mas a editora ainda não confirmou a informação! Vamos aguardar!

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A Rainha Santa (Carla Cristina Ferreira)


Nossa avaliação - 7.5
Em julho trouxe o primeiro livro da série A Guerra dos Primos, “A Rainha Branca” de Philippa Gregory; hoje trago o segundo volume “A Rainha Vermelha”, publicado também pela editora Record.

O diferencial neste segundo livro é que a história não começa de onde o livro anterior terminou; na verdade ele começa alguns anos antes e aos poucos sua trama vai se intercalando com os acontecimentos de “A Rainha Branca”, mas por outro ponto de vista... Agora nossa protagonista é Margareth Beaufort, uma menina que sonha em se tornar santa, que almeja se juntar ao convento e passar seus dias jejuando e orando, mas que ao mesmo tempo acredita que possui um destino tão especial quanto o da jovem Joana D’Arc.

Como prima do rei, seus sonhos são interrompidos quando chega a hora de se casar e dar um herdeiro a Casa de Lancaster, já que até o momento o rei Henrique VI e a rainha Margarida de Anjou ainda não possuem filhos.

Em seu primeiro casamento Margareth tanto concebe um filho, Henrique Tudor, que acredita possuir um grande destino, quanto perde seu marido. Determinada a colocar seu filho no trono da Inglaterra, Margareth dedicará sua vida e suas orações sem se preocupar com as consequências.

Ela presencia a dissolução do frágil reino dos Lancaster e se vê diante de uma nova casa governante, os York, que após muitas batalhas depõem o rei louco que é controlado pela rainha. Sendo seu filho o próximo na linha de sucesso dos Lancaster, este é enviado para o exílio e lá aguardará a sua hora de retorna à Inglaterra e reclamar o que é seu por direito.

Mesmo com a consolidação do poder dos York, o país vive em meio à guerra civil. Procurando tirar vantagem de cada movimento em falso dos seus inimigos, Margareth casa-se com Lord Stanley, seu terceiro marido, que possui a fama de sempre mudar de lado, ficando sempre do lado vencedor. Implacável, juntos se aliam para colocar o verdadeiro herdeiro no trono, chegando a prometer seu filho em casamento ao inimigo: a filha da rainha Elizabeth Woodvile, que acredita ser uma bruxa de pacto com o diabo.
Vale tudo para alcançar seu sagrado destino de se tornar mãe do rei: conspirar, trair, assassinar... Afinal, apesar de santa e próxima a Deus, ela é um mulher que ‘sozinha’, com seu orgulho e sua ambição pelo poder acredita que mudará o curso da história, assim como Joana D’Arc.

Neste segundo volume, encontramos outra mulher determinada a atingir seu objetivo, nos narrando as acontecimentos a medida que os fatos vão ocorrendo, mas assim como em “A Rainha Branca”, há momentos que ações são narradas longe do ponto de vista de Margareth.  O que é um pouco chato, já que o leitor se acostuma com um narrador que é testemunha ocular dos acontecimentos.

Em comparação com o primeiro livro, este tem um desenrolar um pouco devagar, talvez pela natureza santa da protagonista que faz questão de frisar a todo o momento que jejua, ora e está próxima a Deus. Apesar de se considerar santa e sem pecado, fica claro a sua cobiça por poder e sua inveja pela rainha Elizabeth.


Agora é encarrar o livro três, “A Senhora das Águas”. Aguardem!