segunda-feira, 2 de março de 2015

Dobradinha da série Breathless de Maya Banks! (Renata Lima)


Inicialmente, achei que fosse impressão minha, mas esses dois livros confirmaram algo que eu já estava desconfiada desde o primeiro livro da série Breathless chamado "Obsessão": Maya Banks, a autora, se especializou no tipo de livro em que a mocinha é aquela dama indefesa e perdida que precisa de um homem para tirá-la da confusão ou do ostracismo que é a sua vida para que então finalmente, e depois de tantos perrengues e humilhações, possa ser feliz.


Muito recomendado por uma livreira da Saraiva do Praia Shopping, como expliquei na resenha anterior, a trilogia Breathless é uma trilogia erótica que foca na história de três amigos: Gabe, Jace e Ash. Como já falamos aqui do primeiro livro e do blá blá blá sem fim um tanto Cinquenta Tons de Cinza que ele foi, assim como a parte revoltante do final que eu não consigo engolir até agora, hoje vamos falar de "Delírio", que tem como personagens principais Jace, um dos amigos milionários e Bethany, uma sem teto lutando para sobreviver, e de "Fogo", que tem como personagens principais Ash, mais um dos milionários, e Josie, uma pintora enfrentando sérias dificuldades financeiras e de relacionamento.

Nossa Avaliação - 5.0
Em "Delírio", Jace e Ash apresentam seus joguinhos sexuais: sim, eles gostam de menàge e em uma festa decidem convidar a frágil, assustada e linda garçonete Bethany para uma noite de sexo com os dois sem saber que a moça é uma sem teto, lutando para sobreviver e que aquele trabalho é um trabalho temporário e ao sair dele Bethany precisaria procurar um abrigo para passar a noite e provavelmente não teria nem o que comer.

Encantada com a possibilidade de uma cama quente, uma refeição decente e um pouco de grana, Bethany diz que sim e vai para a cama com os dois homens ao mesmo tempo tendo a melhor noite de sexo da sua vida. No dia seguinte, de volta à vida real, Bethany deixa o hotel sem saber que Jace ficou encantado por ela e decidiu conversar com Ash sobre o assunto, exigindo que Bethany fosse somente dele e extinguindo assim suas noites de farra com o amigo.

Ao procurar informações sobre Bethany com o buffet da festa da noite anterior, Jace se depara com o endereço do abrigo e pede que a responsável entre em contato com ele assim que Bethany aparecer, o que não demora muito a acontecer. Sozinha, ferida, com frio e com fome, Bethany e Jace se encontram no abrigo e ele a leva para a própria casa, onde propõe cuidar dela e deixá-la morando no apartamento da irmã Mia, agora noiva de seu amigo Gabe.

Inicialmente confusa, Bethany aceita o acordo, mas sua vida desregrada nos últimos anos combinada a um acidente que a levou ao abuso de drogas, ao irmão inconsequente e bandido e a desconfiança de Jace e de seus amigos vão levar essa relação ao limite várias vezes, tornando a história um tanto cansativa com tantos vai-e-vem e "vamos conversar" e "vamos transar" e "você é minha" e mais tantas outras frases de efeito e tantos orgasmos.

Sinceramente, esperava um pouco mais.

Nossa Avaliação - 7.0
Em "Fogo" conhecemos a história do solteirão convicto Ash. Com uma família complicada, Ash se juntou a Gabe, Jace e Mia e fez deles sua família oficial, mas agora, com o avô perto da morte, a família verdadeira de Ash o quer de volta ao seio da família para que avô não deserde os pais de Ash, a quem não consideram bons pais e consequentemente boas pessoas.

Ao encontrar uma mulher no parque usando uma "coleira" que tem certo significado no mundo BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo), Ash se sente profundamente atraído por ela e na melhor das interpretações de um psicopata, coloca uma pessoa para segui-la, descobrindo então que Josie é uma artista com dificuldades financeiras vendendo jóias de família para pagar as contas que seus quadros não conseguem pagar. Claro que Ash compra as jóias e os quadros de Josie (esses últimos de forma anônima) e faz uma proposta a ela, mesmo sabendo que ela tem namorado: ele quer ser seu dominador e por isso quer cuidar dela como seu atual dom deveria estar fazendo.

Depois de pedir um tempo para pensar, e de sofrer uma agressão, Josie decide se render a Ash e os dois começam um relacionamento apaixonado, apesar de alguns percalços. Josie se integra bem com os amigos de Ash e passa a ser amiga de Mia e Bethany, mesmo sabendo que Bethany um dia dividiu a cama com seu namorado. Mas como nem tudo são flores, Josie descobre um segredo de Ash que a faz se separar dele e consequentemente perder sua proteção, o que pode ser muito perigoso porque um antigo inimigo dos três mosqueteiros pode se aproveitar disso para ferir os rapazes.

Apesar de ainda ter a vibe de mocinha indefesa e mocinho superman, confesso que esse livro me agradou mais do que o primeiro e o segundo.

No quesito edição, os dois deixam muito a desejar em termos de regência e concordância verbal e nominal. E além disso tudo, como eu tenho reclamado ultimamente, é um tal de "levantar pra cima", "entrar dentro", o empregado chamando o chefe de "você" e depois "senhor" numa mesma frase, a mulher mordendo o ouvido do cara! You got a point traduzido como "Você tem um ponto", como assim? E os belos "entre eu e fulano" e "entre fulano e mim"... aí é triste. E no livro três tem "boca dela" umas dez vezes e de novo tem "quero passar meu ponto para ele" e eu achando que a mulher ia vender alguma loja, mas não. Ela queria passar a opinião dela. E pra fechar, traduzem "take you time" como "tome seu tempo". Gente, não dá!

Recomendo a trilogia? Não. Mas se estiver sem nada pra ler e esses livros estiverem de bobeira na estante, servem para passar o tempo!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O que é WondLa? (Carla Cristina Ferreira)


Nossa avaliação - 7.5
Escolhi para o desafio do skoob deste mês (tema fantasia) um livro que já estava há algum tempo na minha estante: “Em Busca de WondLa”, de Tony DiTerlizzi, publicado pela Intrínseca.

Trata-se de uma trilogia que tem como protagonista a pequena Eva Nove, uma menina que foi criada em uma instalação subterrânea por uma robô chamada Mater, a quem considera como mãe. A missão de Mater é educar, proteger e preparar Eva para o que a aguarda na superfície.

Dividido em quatro partes, aos poucos vamos descobrindo um mundo de holoprogramas, casacoletes e botatênis, até que a menina nos apresenta o seu tesouro mais precioso, o único item que foi deixado ali por outro ser humano: um objeto de material desconhecido que traz a imagem não muito nítida de uma menina, um adulto e um robô de mãos dadas e poucas letras legíveis: parcialmente a palavra Wond e as letras L e a, assim ela passou a chamar este objeto de WondLa.

Incessantemente, Eva tenta convencer Mater a deixá-la explorar a superfície até que um grande estrondo a obriga a deixar todo o seu pequeno mundo para trás, pois alguém estava invadindo seu Santuário.

Assim, Eva se vê finalmente onde sempre quis estar, tendo a chance de explorar a superfície e principalmente de encontrar outro ser humano; o problema é que nenhuma das simulações de holopragamas a preparou para o que estava por vir. Sua sorte foi encontrar Andrílio, um ser estranho e solitário que ajuda a guiá-la por este mundo desconhecido.

Não fica muito claro neste primeiro livro qual o motivo de Eva e Mater viverem no subterrâneo sozinhas e nem porque é tão importante que Eva esteja apta para sobreviver na superfície. Estas são algumas das muitas perguntas que ficam sem resposta ao longo do livro.

Porém, é interessante ver que o autor conseguiu criar um mundo fantástico no qual uma menina de 12 anos consegue superar tantos desafios sem poderes mágicos, contando apenas com a tecnologia, o Onipod, e seus inusitados amigos. Juntos, em um constante aprendizado, eles se “reprogramam” para sobreviverem a tantas reviravoltas e adversidades.

Contudo, é através das ilustrações de DiTerlizzi que podemos imaginar com detalhes precisos  a mistura que ele nos pinta entre dois mundos: um futurístico e um alienígena, enriquecendo ainda mais a sua obra.

Mas o que afinal é WondLa? Esta pergunta só é desvendada nas últimas páginas do livro, mas basta dizer que é algo que conforta Eva; a simples ideia de que existe outro ser igual a ela, de que não está sozinha apesar de ser diferente de todos... Que ainda assim possui amigos.

A única coisa que incomoda um pouco é a extrema polidez dos personagens não apenas entre o trio Eva-Mater-Andrílio, mas inclusive entre Eva e o Onipod (que não deixa de ser um computador de mão). Sem contar que em muitas situações perigosas, os personagens continuam calmos, sem explosões de temperamento, angústia ou medo.

Ainda assim, uma série promissora; que venha o segundo volume “Um herói para WondLa”!

Abaixo, algumas ilustrações do livro.

Eva e Andrílio
A robô Mater; Eva e Andrílio montados em Otto
A sonhadora Eva Nove



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Continuar na mesma ou mudar, depende só de você! (Lucyclenia)


Em "Apenas um Dia" de Gayle Forman (a mesma autora da duologia "Se eu Ficar" e "Para Onde Ela Foi"), Allyson Healey acabou de terminar o ensino médio e ganhou dos pais uma viagem para a Europa com sua melhor amiga.  

Nossa Avaliação - 7.5
Ela demonstra ser bem certinha,  objetiva e por que não dizer teimosa? Mesmo cansada da vida cheia de regras, ela não se arrisca em uma aventura, pois se sente pressionada a agir como as pessoas ao seu redor esperam. Mas um belo dia, Allyson ou “Lulu”, decide seguir o seu coração e entrar de cabeça em uma aventura que até ela mesma nunca poderia imaginar. 

Em uma cidadezinha da Inglaterra, ela conhece Willem, um ator que a convida para assistir uma peça de Shakespeare gratuitamente em uma praça pública. Incentivada pela amiga, ela larga tudo na excursão e vai assistir à peça, porém assim que a peça termina ela não encontra mais Willem. Apesar da insistência da amiga para que elas procurem o lugar onde os atores se confraternizam, Allyson decide voltar ao hotel.

No dia seguinte, no trem voltando pra Londres, ela dá de cara com ninguém mais, ninguém menos que Willem e descobre que, de tantas outras coisas, ele é um aventureiro que já está viajando há dois anos sem um rumo certo: exatamente tudo o que ela precisava.

Conversa vai, conversa vem, e ela deixa escapar que o mais queria era conhecer Paris, só que foi obrigada a desistir por causa de uma greve. Willem portanto sugere que ela pegue um trem de Londres a Paris e aproveite a cidade por pelo menos um dia e, apesar de gostar da ideia, Allyson diz que tem medo de ir sozinha. Aí, já viu né? Ele diz que vai junto e os dois começam um dia de aventuras e descobertas.
- Vamos continuar com esse gim francês – continua a mulher de trança. Ele dá de ombros e então enfia minha nota no bolso. Viro-me para Willem e sorrio. Então faço um sinal com a cabeça para o Capitão Jack. Ele estica a mão para me ajudar a embarcar.
Pela primeira vez, acho que não tenho uma opinião sobre um livro que eu leio. Assim como no “Se eu Ficar”, não me apeguei à história e aos personagens. Allyson está cansada da vida regrada que leva, até ai tudo bem, mas largar tudo e ir pra Paris com um desconhecido, achei demais.

O livro tem duas partes: antes e durante Paris e depois de Paris, e como já falei não me conectei com a história, mas não o abandonei. Assim como em "Se eu Ficar", o livro termina no ponto máximo, no tão esperado e só aí eu fiquei curiosa, até um pouco ansiosa pela continuação, só para ver se a Gayle Forman vai conseguir me fazer mudar de ideia sobre a nota que dei para esse livro. Ah, vale dizer que é uma trilogia!

Não me entendam mal, não é um livro ruim, mas achei um tanto mediano frente aos outros YA que li ao longo de 2014 e nesse começo de 2015!

Até a próxima!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Fantasia para o Desafio Skoob 2015! (Renata Lima)


Ano passado eu ouvi falarem muito bem do livro "Half Bad", o primeiro livro da trilogia de bruxos intitulada Half Life (também já foi publicado um conto lá fora chamado "Half Lies"), primeiro livro publicado pela autora Sally Green e adquirido aqui para o Brasil pela Intrínseca.

Nossa Avaliação - 8.5
O livro conta a história de Nathan, um jovem que carrega um enorme fardo: ser metade Luz e metade Sombra, isso porque ele é filho de uma Bruxa das Luz com o mais poderoso Bruxo das Sombras que já existiu. A mãe de Nathan morreu quando ele ainda era criança e seu pai vive na escuridão, tido como assassino brutal de bruxos tanto da luz quanto das sombras e ladrão de seus dons e poderes.

Morando com a avó e com os três meio-irmãos (cujo pai foi assassinado pelo pai de Nathan) e constantemente hostilizado pela mais velha, Jessica, Nathan não tem sossego. Todos os bruxos da escola, todos descendentes de Bruxos da Luz, o olham com ironia e sarcasmo e consequentemente não querem se envolver com Nathan. Mas as coisas estão prestes a mudar quando Annalise passa a notá-lo e desenvolve uma amizade com Nathan, amizade essa que complica ainda mais a vida do jovem rapaz, já que a família de Annalise é uma família influente e não quer vê-la envolvida com o filho do mal.

Por ser o único meio-código que se tenha notícia (Meio da Luz, Meio das Sombras), Nathan não é só observado pelo Conselho dos Bruxos da Luz, ele é literalmente manipulado de formas cruéis, mas a pior de todas é quando descobre que ele não vai ter sua passagem para o mundo adulto como todos os bruxos e consequentemente pode não receber seu dom aos 17 anos. Para isso, Nathan teria que receber três presentes de um parente de sangue e beber o sangue desse parente. Acontece que se ele não passar por isso, o adolescente pode morrer, ou assim diz a lenda.

Nathan precisa se rebelar, fugir, procurar ajuda para se tornar um bruxo. Se ele vai ser um Bruxo da Luz ou das Sombras, só o tempo vai dizer, mas confesso que os Bruxos da Luz fazem coisas tão hediondas, tão covardes que a vontade que dá é torcer pra que ele seja das Sombras e desenvolva um poder super-ultra-mega-maneiro pra se vingar de todos aqueles que fizeram mal a ele e à família dele.

Confesso que não dava muito pelo livro, pensei que pudesse ser uma cópia barata de Harry Potter, mas o livro é tão diferente que me conquistou nos 25% de leitura, principalmente pela narração na primeira pessoa do presente. Normalmente não funciona, mas nesse livro ficou bem interessante e dinâmico. 

Mais uma vez, como em todo YA, seja no gênero que for, a jornada de Nathan nessa transição da adolescência para a idade adulta é sofrida, o bem não é realmente bem, o mal não é realmente mal e essa ideia da hipocrisia dos poderosos permeia todo o livro, deixando o leitor um tanto revoltado em algumas partes, principalmente ao ver a injustiça que o Conselho comete com Nathan e sua avó, forçando o jovem a tomar medidas drásticas e desesperadas.

Minha única reclamação em relação ao livro é por causa da revisão. Péssima! Faltam palavras para dar sentido às frases e também muita troca de letras "chagado" em vez de "chegado", "irritada" em vez de "irritado" (estavam falando de um homem, não de uma mulher) e outras coisinhas pequenas que me deixaram um pouco chateada.

No mais, um livro que recomendo pela história, pelo personagem principal, pela jornada sofrida de Nathan, por ser a estreia de uma autora talentosa e pelos direitos do livro terem sido comprados pela FOX 2000!

Boa leitura!