quarta-feira, 23 de abril de 2014

4/8 de Sullivan na série de romance de Bella Andre (Renata Lima)


Para você que é apaixonada por romance, fica a dica da série dos Sullivan da Bella Andre publicada aqui no Brasil pela Editora Novo Conceito. Os dois primeiros livros da série "Um Olhar de Amor" e "Por um Momento Apenas" já foram resenhados aqui e hoje eu voltou com mais dois Sullivans: Gabe, o bombeiro, e Sophie, a bibliotecária.

Nossa Avaliação - 8.0
Em "Não Posso me Apaixonar", em inglês "Can't Help Falling In Love" (lembrando que em inglês todos os títulos são títulos de músicas famosas, sendo essa do Elvis Presley), Gabe Sullivan é bombeiro em São Francisco e em uma noite de serviço salva Megan Harris e sua filha de sete anos Summer.

Gabe já tinha se apaixonado por uma vítima de incêndio antes e tinha jurado a si mesmo jamais cair na mesma cilada e quando Megan aparece no hospital no dia seguinte para lhe agradecer, ele a trata mal e só tem olhos para a pequena Summer.

Recém-viúva e agora sem um lar, Megan se ressente do tratamento grosseiro do bombeiro que parecera tão heroico na noite anterior e decide que não vai mais voltar ao hospital, mas alguns meses depois a filha a convence de visitar o Corpo de Bombeiros da região e lá está Gabe Sullivan novamente tratando-a friamente.

Ao se afastar um pouco para que a filha pudesse ficar com o bombeiro, Megan esbarra em Sophie Sullivan (de novo a coincidência, como o mundo é pequeno!), a bibliotecária com quem ela trabalhara muitos anos  antes, ainda na época da faculdade.

Contrariando o irmão, Sophie convida Megan e Summer para a festa de Natal dos Sullivan e a partir daí Megan e Gabe começam um relacionamento conturbado, meio quero-não-quero porque Megan tinha prometido a si mesma que nunca mais se relacionaria com um homem que tivesse uma profissão perigosa como seu antigo marido. Mas o destino - e a pestinha da filha - intervém e coloca os dois em situações bem constrangedoras.

Um dos livros da série que eu mais gostei até agora, mas que de certa forma editorialmente falando foi o que mais me incomodou porque por várias vezes havia travessões com falas começando no meio dos parágrafos. Como eu li em epub (livro digital), não sei se o mesmo acontece nos livros físicos, mas creio que não, porque eu já tinha reclamado disso na resenha anterior e a Izabela disse que não tinha visto isso nos livros físicos.


O livro 03, "Só Tenho Olhos para Você", em inglês "I Only have Eyes for You" (música que fez bastante sucesso nos anos 50 com o grupo The Flamingos e mais recentemente regravada por Jamie Cullum) conta a história da bibliotecária Sophie e de um dos melhores amigos da família Sullivan, o irlandês Jake McCann.

Nossa Avaliação - 7.5
Dono de uma rede de pubs irlandeses, Jake é praticamente o nono Sullivan e todos o consideram como um irmão, exceto Sophie, que desde criança tem uma paixonite aguda que acredita ser não correspondida, mas nem por isso diminuiu ao longo dos anos.

Conhecida como "Boazinha" pelos irmãos e parentes, ao contrário de sua gêmea Lori, ou "Mázinha", Sophie é uma bibliotecária bem caricata. Apesar de bonita, Sophie não é vaidosa, não se veste bem e os livros são seus melhores amigos. Mas no dia do casamento de seu irmão Chase com Chloe (o casal do primeiro livro "Um Olhar de Amor"), ela decide usar e abusar de sua sensualidade para ver qual será a reação de Jake.

Nem tudo corre exatamente como ela gostaria, mas o fato é que Sophie finalmente vai para a cama com Jake. Acontece que no dia seguinte o mocinho ele desaparece, deixando-a sozinha na cama e com um problemão (que você já deve estar imaginando o que é) para resolver.

Apesar de amar Sophie, Jake tem um segredo que não quer que ela saiba. Além disso, ele se sente indigno do amor dela porque ninguém nunca o amou daquele jeito. Abandonado pela mãe e criado por um pai bêbado, Jake cresceu atrás do balcão de bares, lavando louça ou ajudando os cozinheiros. Ele não sabe o que é ser amado e sua vida toda é formada por relacionamentos breves e fúteis, mas ele sabe que com Sophie não pode ser assim, principalmente porque os irmãos Sullivan são bons de briga e arrancaria sua pele se ele simplesmente pensasse em magoar a "Boazinha".

O livro é leve e divertido e, apesar de um pouco caricata, Sophie é uma personagem cativante, assim como Jake e você se pega torcendo para que esse relacionamento dê certo e para que os outros Sullivans, principalmente o gatérrimo Smith, uma espécie de pai para Sophie, aprovem o relacionamento dos dois.

Mais uma vez, para quem gosta de romance, é um livro bem interessante que vale a pena!

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Desafio Skoob Abril - Suspense e thriller psicológico, união perfeita (Aline Basilio)


E para o Desafio Literário do Skoob, no mês de abril (livro escrito por mulher) escolhi ler "Bela Maldade", de Rebecca James, um thriller psicológico misturado com suspense e mistério: combinação mais que perfeita!

Nossa avaliação - 8,5
O livro nos conta a história de Katherine Patterson, uma adolescente de 17 anos que, após uma tragédia em sua família, se muda para Sidney e se “esconde” do mundo.

Na nova cidade e escola, encontra Alice, a garota mais popular e sua mais nova amiga. Alice é super divertida e não leva nada a sério, sempre esbanjando simpatia e rodeada de pessoas. Convivendo com Alice, Katherine também se torna popular e cria-se um trio inseparável entre Alice, Katherine e Robbie, amigo de Alice e agora de Katherine também.

Vivenciamos o desenvolvimento dessa amizade e como isso transforma a vida de Katherine, aumentando seu convívio social e interpessoal. Mas então Alice começa a se comportar de uma forma diferente, sendo um pouco maldosa e fazendo qualquer coisa para conseguir o que deseja, e isso incomoda Katherine, que possui um segredo do passado que não deseja que seja revelado e tem medo que essa nova faceta da amiga o descubra. 

Será que essa amizade resistirá aos segredos?

O trauma sofrido por Katherine é bem explorado pela autora, seus sentimentos, seus conflitos internos e externos, sua reclusão... Como os segredos são revelados aos poucos, o leitor fica imaginando o que teria acontecido. As loucuras de Alice também dão um toque especial à narrativa. 

O lado psicológico dos personagens foi muito bem descrito em situações do cotidiano. Em alguns momentos é de tirar o fôlego!

Um livro muito intenso, de leitura rápida, interessante e muito bem desenvolvido. Com capítulos curtos que intercalam o presente e o passado, nos revelando informações sobre os personagens, seus segredos e suas personalidades, tecendo uma trama de deixar o leitor intrigado. Um suspense do gênero YA que prende a atenção até o final.

Fiquei feliz por ter comprado esse livro na Bienal de 2013 por um preço ótimo, pois valeu a pena!

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Suspense e emoção andando de mãos dadas (Renata Lima)


Mais um livro lido para o Desafio das Estrelas e para o Desafio do Facebook!

Eu realmente gostaria de dizer que "Dias de Chuva e Tempestade" me atraiu pela capa, mas não é esse o caso. Assim como outras capas da Arqueiro, eu tinha a impressão de que esse livro era um romance ou um livro de autoajuda, mas me enganei redondamente. É um suspense interessante, surpreendente e muito esclarecedor sobre a capacidade humana de prejulgar a pessoa por seus atos anteriores.

Esse foi um dos primeiros livros que comprei em e-book, mas por algum motivo (talvez por causa da capa) ele foi descendo e descendo até sumir completamente da minha lista de leitura, sendo retomado apenas por causa da temática suspense/policial escrito por mulher do Desafio das Estrelas, confesso, e porque uma das meninas de lá, a Laura Levada, disse que leu e achou o livro muito bom!

Nossa Avaliação - 8.5
Com uma narrativa bastante envolvente, Nancy Pickard narra praticamente duas histórias em paralelo, uma no passado e uma no presente, que envolvem o mesmo assunto com os mesmos personagens: o assassinado de Hugh-Jay Linder e o desaparecimento e possível sequestro e morte de sua esposa. O acusado é um jovem delinquente e problemático chamado Bill Crosby que trabalhava na fazenda da família de Hugh-Jay e morava próximo à sua casa na cidade.

O livro começa no ano de 2009 quando Jody Linder, a filha de Hugh-Jay, já adulta, recebe de seus tios Chase, Bobby e Meryl a notícia de que o assassino de seu pai será solto da prisão depois de 23 anos e pretende voltar para a pequena cidade de Rose, no Kansas. Conhecemos um pouco da vida atual dos membros da família Linder, assim como dos membros da família Crosby e só então somos levados ao passado para entender como todos chegaram até ali, naquele momento que vai se tornar um momento decisivo na vida de Jody, quando ela tem que abandonar sua vida na cidade para voltar a morar com os avós na fazenda.

Voltamos então ao ano de 1986 e descobrimos os acontecimentos ocorridos dias antes do assassinato: a ira de Billy contra uma vaca da fazenda que pareceu o estopim de todo um evento em cadeia que culminou na morte do filho do fazendeiro, no desaparecimento de sua nora rica e mimada, no orfanato de Jody, na prisão de Billy e na ojeriza de quase toda a cidade à esposa e filho do assassino que nunca admitiu o crime, Valentine e Collin.

Se inicialmente o livro parece um pouco com uma imagem fora de foco, aos poucos ele vai ganhando forma e contorno em uma narrativa em terceira pessoa que revela segredos sujos, flertes entre parentes, manipulação de poder e amores impossíveis, contrabalanceando os 50% iniciais no passado e os 50% finais no tempo presente (no caso do livro, 2009).

Ao descobrir que Collin, o filho do assassino, foi quem ajudou a libertá-lo da cadeia, alegando que as evidências foram manipuladas por influência da família Linder, o mesmo Collin que a atraia quando criança por ter levado uma infância solitária e triste, Jody decide ir à fundo na história e investigar não só por que Collin ajudou a soltar o pai, mas também o que o assassino fez com sua mãe ou com os restos mortais dela. E como toda boa história começa com uma centelha de desconfiança às ideias preconcebidas, Jody vai descobrir que questionar o passado pode nem sempre ser muito recomendado, mas nesse caso é mais que no intuito de esclarecer um crime, é no intuito de se libertar e se permitir! 

Confesso que me surpreendi com o final, apesar de saber que seria algo naquela linha, mas nunca poderia imaginar o que exatamente aconteceu no dia da morte de Hugh-Jay e como tudo seria esclarecido. Aplausos para a autora, porque surpreender hoje em dia é difícil! Só achei a resolução um pouco brusca, rápida, e talvez por isso tenha dado 8.5 e não nota 9.0 para o livro

Editorialmente falando, eu já disse que não gostei muito da capa, mas não tenho o que reclamar da tradução e da revisão, que estão muito bem feitas! Ponto para a Arqueiro!

Abaixo seguem algumas capas que achei bem mais legais do que essa!



quarta-feira, 16 de abril de 2014

Vampirismo e Criogenia (Carla Cristina Ferreira)

Indubitavelmente, percebi que me tornei uma leitora mais exigente, muito mais seletivas nas minhas leituras, porém, mesmo selecionando “bons” livros, acabo me deparando com alguns fiascos. Foi o caso do último livro que encarei, “Sangue e Gelo” de Robert Masello, publicado pela Suma das Letras.

Nossa avaliação - 4.0
Na verdade, a Aline escolheu este livro para eu ler no “Me indique um livro” no final do ano passado, mas na época não consegui lê-lo. Como estou passando por uma fase que só consigo ler e-book (infelizmente) este acabou sendo uma das minhas opções disponíveis.

Mas vamos ao livro... Incialmente devo dizer que o livro captou minha atenção, tanto que até os 45% segui em um ritmo intenso, mas depois fui desanimando.

A trama tem foco tem Michael, um fotojornalista que trabalha para uma revista tipo National Geografic que acaba de passar por um momento traumático: sua namorada sofreu um traumatismo craniano enquanto escalavam juntos e agora se encontra em coma sem chances de recuperação.

Pensando em retomar sua vida e sua carreira, Michael decide aceitar um trabalho especial: acompanhar durante um mês a rotina de cientistas em uma estação de pesquisa no Polo Sul. Fascinado com a ideia, Michael nem pensa muito e topa na hora.

Paralelamente, somos transportados para o ano de 1856 e acompanhamos o casal Sinclair e Eleanor em uma viagem pelas águas no Polo Sul, porém algo dá errado durante a viagem: a tripulação suspeita dos passageiros e após o descobrimento de uma estranha garrafa de vinho, decidem se livrar dos amantes, acorrentando-os e jogando-os nas águas geladas da Antártida.

Assim, a história é intercalada pelos acontecimentos presentes e as memórias de Eleanor e Sinclair: do momento em que se conheceram até a sua fuga de Portugal, acabando no navio Coventry e seu gelado destino. Mas é claro que a história esquenta, ou melhor, literalmente esfria, quando Michael, durante um mergulho para fotografar a vida marinha do mar gelado, se depara com uma mulher presa dentro de uma geleira.

O problema do livro é que se perde muito tempo com as memórias de 1856, tornando a história enfadonha e dá uma grande vontade de pular a lenga-lenga dos momentos de Sinclair na guerra ou todo o blá-blá-blá de Eleonor como enfermeira, socorrendo os soldados feridos.

O livro também se perde ao tentar transportar o leitor para momentos irrelevantes como quando Michael e seus novos amigos precisam construir um iglu ou toda a descrição sobre uma antiga estação baleeira abandonada e todo o massacre ocorrido ali. Ficamos à espera dos fatos mais relevantes como o que houve com o desafortunado casal, que transformação foi essa que ocorreu e como isso vai impactar na estação de pesquisa.

Não preciso esconder que o livro trata de um tipo de vampirismo (esta informação está na contracapa do livro), no qual ficamos esperando para saber porque o infortunado casal conseguiu sobreviver durantes a passagem dos séculos, mas alguns pontos não fizeram sentido para mim. Por exemplo: como pode pessoas diferentes serem “infectadas” por esta doença e ao mesmo tempo reagirem de formas diferentes: Sinclair e Eleonor são pessoas pacíficas que lutam contra a sede, mas quando dois pesquisadores são ‘infectados” estes transformam-se em monstros.

Outro ponto: como um vampiro precisa se aquecer e inclusive precisa se alimentar, chegando a comer ração de cachorro para não passar fome? E mais, como roupas e livros não se deterioraram com o passar dos anos com o sal e o gelo? Não faz muito sentido, pelo menos para mim. Sem contar a solução para salvar Eleonor desta doença e levá-la de volta à civilização.

Sei lá, o que tinha para ser um ótimo livro, deixou e muito a desejar.