sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O início da trilogia verão! (Lucyclenia)


A maioria das pessoas não veem a hora de chegar logo as férias para curtir, descansar, aproveitar cada minuto sem se preocupar com suas obrigações. Mas para Belly as férias de verão são MUITO mais que isso.

Nossa avaliação - 9.0
Desde sempre sua vida é quase uma tortura durante boa parte do ano e é durante as férias que ela, sua mãe e seu irmão, Steven, vão para a casa de praia de Susannah, a melhor amiga de sua mãe. Lá, Belly é livre pra curtir a sua vida como bem quer: ao lado dos filhos de Susannah, Conrad e Jeremiah. As coisas sempre pareciam melhores quando estava na praia com os meninos, comendo com as mães ou simplesmente nadando à noite.


Mas no verão apresentado no livro, as coisas estão diferentes do que costumavam ser. Susannah, uma das pessoas preferidas de Belly, está lutando contra o câncer, e o amor de Belly pelo amigo Conrad só aumentou. Mal sabe ela o que lhe aguarda durante essas tão esperadas férias com o clima ligeiramente diferente em Cousins Beach. 

Perto de completar 16 anos, Belly não é mais uma menininha birrenta (quer dizer, mais ou menos) implorando pela atenção dos meninos. Mas assim como ela, Steven, Conrad, Jeremiah e até sua amada Susannah parecem estar mudando. De alguma forma parece que o encanto está prestes a se quebrar, mas ela se recusa a deixar tudo acabar sem tirar o máximo de proveito.

Na trama é tratado aquele tema adolescente da puberdade, quando as meninas começam a se sentir diferentes, “mudadas”, que é quando Belly vê que está crescendo e seus desejos só fazem aumentar. Eu gostei muito do tema, pois é algo que todas as adolescentes se identificam e quem já passou por essa fase também entende, inclusive o relacionamento difícil entre mãe e filha. O livro trata do assunto de forma leve, meiga, simples, realista e agradável.

Narrado em primeira pessoa, os capítulos são intercalados entre o presente e os verões passados, o que também me agradou, ficando assim mais fácil de entender toda a trama. Jenny Han fez personagens pelos quais você facilmente se apaixona, onde você se pega se lembrando de alguns de seus conhecidos, com tamanha semelhança que é possível enxergar a nossa realidade. 

E há também o ingrediente que não podia faltar: romance. Algo notável é o fato de que Belly é apaixonada por Conrad, mas isso não a impede de aproveitar sua vida. Ela não se prende apenas ao sofrimento de que ele talvez não a ame, ao contrário, seu primeiro beijo foi com Jeremiah e ela tem um pequeno caso com Cam – um garoto que ela conheceu melhor durante as férias. Acompanhar os desdobramentos dos relacionamentos amorosos é interessante, mas a história vai além e trata com delicadeza as questões de amizade, conquistas, perdas e expectativas – tudo pertinente a fase da vida da protagonista.

O livro é ótimo. Traz à tona todos aqueles sentimentos que tínhamos ou temos quando adolescentes e ainda nos faz sentir aquele gostinho do verão. 

Com uma leitura rápida, personagens significativos e uma trama relaxante e atraente, é uma excelente obra para se ler no clima das férias e nos deixa aquela nostalgia gostosa.

“Foi um verão que eu nunca mais esqueci. Foi o verão em que tudo começou. Foi o verão em que fiquei bonita. Porque, pela primeira vez, me senti assim, bonita. Em todos os verões até este, eu acreditava que as coisas seriam diferentes. A vida seria diferente. E naquele verão finalmente foi. Eu fiquei diferente.”
Volto em breve com o segundo livro da série!

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Romance água com açúcar com uma pitada de comédia (Renata Lima)


Hoje voltamos a falar dos irmãos Sullivans da série Os Sullivans de Bella Andre publicada aqui no Brasil pela Novo Conceito. Como esse é o oitavo livro, se você ainda não leu nenhum sugiro voltar lá atrás nas resenhas de "Um Olhar de Amor" e "Por Um Momento Apenas". Se você já leu e parou na metade, sugiro dar uma olhada na resenha do livro que você parou. Aqui tem "Não Posso me Apaixonar" e "Só Tenho Olhos pra Você" e aqui tem "Se Você Fosse Minha", "Quero Ser Seu" e "Perto de Você".

É importante lembrar que são 8 irmãos, então esse livro praticamente encerraria a história de todos os irmãos da família Sullivan, mas a autora resolveu continuar a série falando da matriarca da família Sullivan, Mary, e de primos distantes que apareceram uma vez ou outra durante a série em cerimônias de casamento, natais etc.

Nossa avaliação - 7.5
No livro de hoje, "Em Meus Pensamentos", conhecemos a história da Mazinha Lori Sullivan, gêmea da Boazinha Sophie (que tem a história contada no livro 04). 

Lori sempre foi a mais espevitada dos Sullivan. Decidida e hiperativa, Lori é coreógrafa e bailarina de artistas famosos, mas um revés em sua vida pessoal a leva até uma cidadezinha do interior onde ela descobre que o cowboy Grayson Tyler (olha essa capa!) precisa de uma pessoa para trabalhar como faz-tudo em sua fazenda.

Apesar da falta de experiência de Lori, Grayson a desafia a executar várias tarefas e se ela for bem-sucedida ficará com a vaga. Para sua completa surpresa, a obstinação de Lori faz com que ela passe nos testes e ele agora precisa aturar essa mulher linda dentro de sua própria casa.

Se por um lado a convivência dos dois é cheia de momentos conflitantes, Lori demonstra ter a personalidade forte que apareceu em todos os livros, não desistindo do objetivo de ficar na fazenda mesmo quando Grayson, tentando se livrar dela, a incumbe da árdua tarefa de limpar o cercado dos porcos. Grayson precisa que ela vá embora porque já teve o suficiente de sofrimento quando estava em Nova York e não está disposto a deixar Lori e sua beleza estonteante derreterem seu coração gelado.

O problema do livro, na minha opinião, está no motivo pelo qual Lori, uma mulher sempre tão independente e esperta, cogita desistir da carreira dos seus sonhos, abandona tudo e parte nessa jornada que a leva até Grayson. O relacionamento dela com o namorado já era criticado pelos irmãos em quase todos os livros e só anos depois ela descobriu que o cara era um canalha? E quando descobre, ela foge? Não faz sentido. Ela tinha um show em curso em Chicago!

Apesar desse probleminha, o livro é bom, tem partes muito engraçadas e momentos "own" como se espera de um livro de romance. Obviamente o livro engata a partir do momento que os dois resolvem finalmente ceder às tentações e cair nos braços um do outro. Daí em diante o livro flui bem rápido e a gente realmente passa a torcer para que o casal se entenda, para que Grayson consiga superar o que houve em seu passado e para que Lori acredite no amor, portanto não foi uma perda de tempo!

Como eu disse antes, o próximo livro contará a história da matriarca da família, mas a partir do 10o livro, Bella Andre vai explorar a história dos Sullivans de outros estados dos EUA. Não sei se vou seguir a série dos primos Sullivan, mas como ainda temos mais um livro dessa família de São Francisco, voltarei com pelo menos mais uma resenha para vocês!

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O diário de Cotoco (Carla Cristina Ferreira)

Nossa avaliação - 8.0

Faz alguns anos o povo não parava de falar em “Cotoco” pra lá, “Cotoco” pra cá, mas na verdade só apresentei algum interesse pelo livro depois da bienal do ano passado, quando o livro estava sendo vendido por R$ 5,00 pela Editora Intrínseca. Coloquei na minha listinha de leitura e só agora peguei o dito cujo para ler e ao mesmo tempo morrer de rir.

Escrito por John van de Ruit, o livro conta em forma de diário o ano sabático de John Milton, um menino de 13 anos que passa a viver em um internato, dividindo o dormitório com os “oito loucos”, meninos da mesma idade apelidados de Rambo, Cachorro Doido, Barril, Rain Man, Lagartixa, Esponja e o nosso Cotoco, apelidado desta forma, pois ainda não possui pelos nas partes íntimas pouco desenvolvidas.

Ao longo do livro nos deparamos com situações hilárias de Cotoco e seus amigos: mergulhos noturnos, sessões espiritas, trotes de aniversário, além de situações pra lá de constrangedoras com os pais lunáticos do menino e sua avó gagá.

É engraçado e interessante ver a mente de um menino de 13 anos lidando com o amor, a atração, a fidelidade e as amizades, além de desejar que os pelos de seu saquinho apareçam logo e descobrir qual é o barato de tocar punheta. Afinal, todos os seus amigos são mais desenvolvidos e ficam contando vantagens sobre suas experiências sexuais.

O mais interessante talvez seja a época na qual a história se situa: 1990, África do Sul, libertação de Nelson Mandela. Isso é o suficiente para dar um plus na vida de Cotoco que fica fascinado com a força desse líder que ficou 27 anos preso, tanto que decide se tornar um guerrilheiro conta o apartheid, o que é o suficiente para deixar seu pai mais louco do que de costume.

A vida de Cotoco fica ainda mais interessante quando o menino começa a se relacionar com o sexo feminino... Sereia, Amanda e Christine são o estopim para fundir a cuca do garoto.

Mas o mais bacana do livro é ver o quanto o moleque gosta de ler e suas reações aos títulos que passam por suas mãos, incluindo “O Velho e o Mar”, “Ardil 22” e “O Senhor dos Anéis”.

Tudo bem que eu esperava um final completamente diferente, mas não menos interessante. Talvez eu precisasse de alguns capítulos a mais, ou outro livro para conseguir fechar esse ciclo que o jovem John Milton abriu em minha vida, mas não fechou.


Uma leitura leve, descontraída e super-recomendada.


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Um livro que realmente evolui! (Renata Lima)


No primeiro livro da série "A Desconstrução de Mara Dyer", de Michelle Hodkin, conhecemos a jovem Mara Dyer. Aos 17 anos, Mara se recupera de uma tragédia que soterrou sua melhor amiga Rachel, sua colega Claire e seu namorado Jude. Como única sobrevivente e depois de dias em coma, Mara não se lembra do que houve. Para poupá-la seus pais decidem se mudar para a Flórida tentando deixar tudo para trás. A mudança, no entanto, pouco ajuda e Mara desenvolve o que ela acredita ser TEPT, Transtorno de Estresse Pós-Traumático, manifestado através de alucinações visuais e auditivas e de um "dom" perigoso que ela pode estar desenvolvendo.

Nossa Avaliação - 8.5
Na Flórida, Mara conhece Noah, com quem virá a ter um relacionamento intenso e cheio de revelações que culminam no fim do primeiro livro, quando Mara tem outra revelação chocante e acaba acordando mais uma vez no hospital. 

A única coisa que ela se lembra é de ter visto Jude, o ex-namorado que ela acreditava ter morrido no desabamento do sanatório. Agora, sabendo que pode matar com a força do pensamento e que Noah tem o dom de curar as pessoas, Mara tem que fazer de tudo para não ser internada em uma espécie de casa de repouso/centro de reabilitação juvenil e, ao mesmo tempo, Mara precisa agir junto com Noah para evitar que seus irmãos e seus pais virem alvo de Jude, se é que ele está mesmo de volta, e das pessoas perigosas e inescrupulosas que aparecem em seu caminho.

Não quero revelar muito do livro com medo de soltar spoilers para quem ainda não o leu e para quem ainda pretender ler o primeiro livro da série.

Eu disse que o que eu mais tinha gostado no primeiro livro era que a história era envolvente e que as páginas passavam muito rápido. O ritmo se mantém nesse livro e acho que a autora acrescentou um ingrediente que tornou esse livro melhor do que o primeiro: a dúvida que permeia a sanidade ou a insanidade da personagem principal, o passado de Noah, o que os une e ao mesmo tempo os separa.

A revisão do livro melhorou consideravelmente. Ainda há problemas de grafia, mas graças a Deus não há frases sem sentido! Gosto muito das capas que, com certeza, deixa o leitor tão instigado que dá vontade de emendar um livro no outro. 

Infelizmente o livro três "The Retribuition of Mara Dyer" ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. Eu tinha lido que seria em dezembro, mas a editora ainda não confirmou a informação! Vamos aguardar!