sexta-feira, 27 de março de 2015

"Não abra os olhos", o melhor subtítulo ever! (Renata Lima)


Nossa Avaliação - 9.5
Em "Caixa de Pássaros" o mundo enlouqueceu depois que pessoas começaram a atacar e matar outras pessoas depois de verem alguma coisa que ninguém sabe exatamente o que é. Pais mataram seus filhos e depois tiraram a própria vida, estranhos atacaram outros estranhos no meio da rua. O pânico se espalha, várias teorias surgem na TV e na internet, os acontecimentos pipocam em várias partes do mundo e o governo só diz para os cidadãos trancarem suas portas.

No meio de tudo isso, Malorie está trancada em casa com sua irmã Shannon e acaba de descobrir que está grávida. É uma gravidez não planejada, mas ela pretende levá-la até o fim, mesmo sem conseguir contato com o pai da criança no meio do caos que se instalou.

Presas dentro de casa, as irmãs sobrevivem por um tempo até que Shannon se mata no banheiro e Malorie lembra de ter visto um anúncio de um abrigo no jornal e resolve procurar essas pessoas para não morrer sozinha.

Ao abandonar sua casa, tentando manter ao máximo os olhos fechados e ainda sim dirigir por quilômetros, Malorie encontra um mundo abandonado, onde pessoas fecharam as janelas de suas casas cobrindo-as com madeiras ou cortinas escuras para não ver o que está do lado de fora. Não há som, não há nada que indique que ainda há vida lá fora.

Chegando ao abrigo, Malorie descobre que o mesmo foi idealizado por George, agora já falecido, e que outras pessoas atenderam ao seu chamado, assim como ela: Don, Tom, Cheryl, Jules e Felix. Posteriormente também aparece outra grávida, Olympia. Aos poucos, esses tantos estranhos começam a viver em harmonia, mas com o medo permeando cada ação deles, desde as excursões em busca de comida longe até pegar água no poço ali perto, tudo isso vendados. Mas como nada é perfeito, surge um homem misterioso chamado Gary que pode mudar tudo isso.

Em paralelo à história de Malorie dentro da casa, (na verdade os capítulos se alternam entre presente e passado) temos a história da própria Malorie mais velha e com duas crianças de quatro anos, nomeadas apenas como Garoto e Menina, que precisam deixar a segurança da casa (do abrigo) e descer o rio em busca de comida e melhores condições de vida. 

Aos poucos vamos descobrindo o que houve com os antigos moradores da casa e também como Malorie criou Garoto e Menina, privando-os da luz do dia, nunca permitindo que andassem sem vendas do lado de fora da casa. Agora, na descida do rio, eles são os ouvidos da mãe, sendo a audição o sentido mais apurado que os dois têm.

Esse é mais um livro que quanto mais se fala, mais se revela, e o interessante dele é a novidade, aquilo que a gente não espera, o medo do que a gente não pode ver. Um trabalho narrativo primoroso de Josh Malerman que, de acordo com as últimas notícias, está escrevendo uma continuação, e um trabalho editorial muito bem feito, com pouquíssimos problemas, da Intrínseca, a começar por essa capa um pouco diferente da original, mas igualmente instigante! 

Muito ansiosa para ler o segundo livro!

quarta-feira, 25 de março de 2015

Nunca julgue um livro pela capa... (Lucyclenia)



Nossa Avaliação - 100
"A Seleção" é o primeiro livro da trilogia homônima escrito por Kiera Cass. A história se passa em Illéia, onde costumavam ser os Estados Unidos, agora um país dividido em oito castas, onde uma pessoa da casta oito é a que tem uma vida mais sofrida em relação às outras castas e as da casta um fazem parte da família real. 

America Singer, uma ruiva rebelde de 16 anos, é uma garota da quinta casta que vive com a família de uma forma simples e humilde. Eles têm que lidar todos os dias com a falta de comida. Todos eles são artistas, sendo ela uma incrível musicista, e trabalham para as castas mais ricas, se apresentando em festas de casamento e aniversário. Desde que seus dois irmãos mais velhos saíram de casa ela assumiu total responsabilidade como a irmã mais velha da casa em ajudar seus pais a conseguir o sustento da família. 

De todos ela esconde um segredo: ela é apaixonada por Aspen, um rapaz da sexta casta, e, por ele ser de uma casta inferior, o namoro de dois anos entre eles é às escondidas. Ela acredita que juntos ele podem enfrentar de tudo para fazer esse amor dar certo, mas Aspen acha que nunca poderá dar uma vida digna à sua amada e termina o relacionamento.

Nesse meio tempo, o príncipe Maxon acaba de atingir a maioridade e deverá se casar. Certo dia, America, assim como todas as garotas em idade apropriada, recebem um convite para se escreverem na Seleção: 35 garotas de todo o país serão selecionadas para viver no palácio por um tempo, enquanto o príncipe escolhe qual delas será sua princesa. Tudo isso televisionado e exibido à nação em tempo real.

Preocupada com o sustento da família, América acaba se inscrevendo, ainda que seu coração pertença a Aspen. No fundo, ela não tem esperanças de se tornar princesa. Porém, como sempre, o destino interfere e adivinha o que acontece?

Assim como acontece com todos os livros que leio, não li nada a respeito deste antes de começar a leitura. Achei totalmente viciante e na mesma hora em que terminei de ler a última página já peguei o conto que vem logo depois do livro para continuar dar continuidade à série. Li ambos em apenas um domingo, só pra vocês terem noção. 

O que é o príncipe Maxon, gente? Que homem perfeito, exatamente tudo o que uma princesa iria querer. Eu ria, ficava triste e queria certas vezes bater em um ou dois personagens por sua teimosia, como por exemplo na Celeste, rival da America. Outra personagem que me conquistou desde a primeira página foi a América, sabendo demonstrar a sua coragem e seu lado extrovertido e engraçado.
Eu não vou lutar. Meu plano é aproveitar a comida até me expulsarem.
É um livro bem leve, com personagens simples e uma história sem muitas novidades, mas é impossível não se envolver. Cada um dos personagens deixa transparecer o seu jeito de ser, o seu EU interior e isso é tão explicito que o leitor acaba torcendo por todos e não sabe se fica triste por um ou feliz pelo outro. 

Por que coloquei esse titulo no post? Nós leitores costumamos escolher o livro pela capa, alguém ao se deparar com esta belíssima capa pode até imaginar "Ah! É um daqueles contos de fadas tipo Cinderela". Pois bem, você está muito enganado. Este livro te prende do inicio ao fim, você não consegue parar de ler e quando terminar, pode ter certeza, você irá querer como vai terminar está história.

Super, super, super indico.

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Acima, falamos do livro "A Seleção" e agora falaremos do conto "O Príncipe", que tem início nos dias antecedentes à Seleção das 35 garotas que entrarão na luta para conquistar não só o coração do príncipe, como também a coroa real. O texto abaixo PODE CONTER SPOILERS!

Nossa Avaliação - 100
Escrito sob o ponto de vista do Príncipe Maxon, esse conto mostra como ele está despreparado e inseguro quanto à decisão que tem que tomar. Antes de 35 garotas serem escolhidas para participar da Seleção, Maxon já rondava de um lado para o outro, sem saber como agir: as exigências do pai, os conselhos da mãe, tudo o deixava ainda mais nervoso. Escolher a futura esposa e ainda por cima em um programa transmitido pela TV, não seria uma tarefa fácil e ele tinha plena consciência disso. Ele está com os nervos à flor da pele, mas deve ser forte, seguro e manter suas dúvidas trancadas a sete chaves em seu coração.

Em meio a tantos fatores de estresse, ele ainda tem que lidar com a festa organizada para comemorar seu aniversário de 19 anos. Neste grandioso evento ele reencontra Daphne, princesa-herdeira da França e é então que descobre que a moça morre de amores por ele e está desconsolada por descobrir que não tem mais chance nenhuma com ele. 

Nos deparamos então com uma grande revelação: a Seleção não é aleatória como somos levados a acreditar no primeiro livro, sendo, portanto, o pai de Maxon, rei de Illéia, quem seleciona as garotas que acha que têm mais chances, incluindo algumas outras de castas inferiores para que ninguém desconfie. É por este motivo que America é escolhida.

Maxon, por sua vez, não sabe de nada e no dia seguinte precisa conhecer as selecionadas, mas America causa confusão com os guardas, o que faz com que Maxon desça para verificar o que está acontecendo. Assustado com a sinceridade e raiva que ela deixa transparecer, Maxon se encanta por ela e por sua beleza estonteante.
Ela não pareceu notar minha aproximação, então esperei ali por uns momentos até que ela levantasse o olhar. Depois de um tempo, comecei a me sentir constrangido. Imaginando que ela ao menos gostaria de me agradecer, tomei a palavra:
- Está tudo bem, minha querida?
- Eu não sou sua querida – ela replicou, lançando um olhar de raiva.
Se o pai de Maxon soubesse que America é totalmente rebelde e que a falta de interesse em ser selecionada é justamente o que chama a atenção de Maxon para ela, ele não a teria escolhido para ser uma das 35, com certeza! 

Neste conto, temos a oportunidade de conhecer melhor a Rainha que aparentemente demonstra ser bastante protetora com relação ao único filho. Fica bem claro que a educação e o respeito do príncipe foram herdados dela, já o Rei, pelo contrário, só se interessa pelas questões políticas do país ou pelas necessidades e questionamentos do filho, que está a se perguntar: "E se eu não conseguir amar nenhuma delas? E se eu me apaixonar por todas e não conseguir escolher apenas uma?"

Adorei o conto. Fiquei ainda mais apaixonada pelo Maxon. Adorei ver os acontecimentos sob seu ponto de vista.

Sugiro que você leia "O Príncipe" logo depois de "A Seleção", ao meu ver as informações se completam já que o primeiro livro é narrado pela America e o conto por Maxon.

Em breve voltaremos com a resenha do próximo livro da série: "A Elite".

Beijos.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Dos braços de um traficante para os braços de um assassino! (Renata Lima)


Nossa Avaliação - 8.0
No primeiro livro da série Na Companhia de Assassinos, "A Morte de Sarai", Sarai é uma jovem de 23 anos que sempre viveu em um meio difícil. Ela morava com sua mãe, usuária de drogas, em um trailer e os muitos namorados e o vício acabaram levando as duas ao México onde Sarai foi abandonada em uma fazenda nas mãos de um temido e cruel mafioso, feitor de mulheres e traficante chamado Javier.

Por ser a preferida de Javier, Sarai tem suas regalias: as melhores comidas, as melhores roupas, nenhum outro homem toca nela a não ser Javier e ela ainda consegue sair com ele para festas na casa de outros ricaços, o que gera a inveja das outras meninas e a raiva desmedida da irmã de Javier, a periguete Izel.

Mas um dia Sarai decide que precisa fugir de Javier e voltar para os EUA para retomar sua vida interrompida há nove anos e como ela precisa de ajuda para isso, decide que vai se esconder no carro de um americano que foi fazer negócios com Javier e fazê-lo de refém até que ele ultrapasse a fronteira e a deixe nos EUA.

O que parecia um plano simples acaba virando uma enorme confusão quando Sarai descobre que o americano é um assassino frio e calculista que não se importa com ela ou com as outras meninas que ela deixa para trás, prometendo voltar. Victor, como ele diz se chamar, domina Sarai e está disposto a devolvê-la a Javier, mas aos poucos descobre que a moça pode ser uma peça-chave para sua missão e, contrariado, resolve ajudá-la e assim ajuda a si mesmo.

Victor é um assassino profissional torturado e cheio de segredos. Assim como Sarai, ele foi levado ainda criança para a Ordem e aos 17 anos já era o melhor assassino do mundo, gerando um pouco de inveja no irmão Niklas, que ficou em segundo plano como uma espécie de contato de Victor enquanto o irmão sai em missões pelo mundo.

Sarai e Victor aos poucos desenvolvem uma relação de amizade, mas a vida de Sarai, assim como a de Victor, está em perigo quando Javier decide que, se ela não voltar para ele, prefere vê-la morta, e envia sua irmã e seus capangas em uma busca desenfreada por Sarai.

O livro é muito bom, interessante, tem bastante ação e suspense, mas deixa a desejar em algumas partes. Por dias Sarai fica com a mesma roupa e de chinelos, sem tomar banho, entrando em lojas e num hotel de luxo sem que ninguém ache isso estranho. Mais pro final também eu achei que eles explicariam melhor qual foi o fim da história da filha de um outro traficante, rival de Javier, mas há uma menção muito breve ao desfecho.

No mais, achei legal saber que a autora, J.A. Redmerski, mais conhecida pela duologia romântica Entre o Agora e o Nunca, conseguiu transitar muito bem entre os gêneros literários. Não vou dizer que estou super ansiosa pela continuação "Reviving Izabel", que parece que será lançado aqui no Brasil no meio do ano, mas é uma série que me interessou e, portanto, vou dar continuidade.

Editorialmente, mais um trabalho perfeitinho da Intrínseca, que se mostra cada vez mais preocupada com a tradução e a revisão, como deve ser!

sexta-feira, 20 de março de 2015

Os exageros de Ripper (Carla Cristina Ferreira)

Nossa avaliação - 6.5

Para o desafio do Skoob do mês de março (livros escrito por mulher), escolhi o último livro da célebre escritora chilena Isabel Allende, “O Jogo de Ripper”, publicado pela Bertrand Brasil.

No primeiro romance policial da autora conhecemos Amanda, filha do inspetor-chefe Bob Martin e da “curandeira holística” Indiana Jackson. A adolescente de 17 anos é mestra do Jogo do Ripper, um jogo de RPG online no qual os participantes tentam capturar Jack, o Estripador. Porém, após um assassinato bizarro, Amanda e seus amigos jogadores, juntamente com seu avô Blake, passam a investigar crimes reais com a ajuda de informações vindas diretamente do Departamento de Homicídios da Polícia de São Francisco.

Obcecada por crimes e mistérios indecifráveis, Amanda é uma devoradora de livros bizarros e filmes do gênero e não se choca facilmente com cenas atrozes, pelo contrário o assunto a atrai. Assim, Amanda e seus amigos passam a ficar sempre um passo a frente da polícia, desvendando pistas deixadas pelo assassino até que uma pessoa muito próxima à garota acaba se tornando a próxima vítima.

No geral, o livro é bom, mas Amanda é um tanto infantil para uma garota de 17 anos que sonha em se casar com um carinha que só conheceu pela internet, mas que ao mesmo tempo tenta se transformar no ícone dos detetives a la Sherlock Holmes que não precisam de relógio para saber as horas porque se treinou para saber a hora exata naturalmente. O.o

Sem contar que não suporta contato físico, se acha a mestra em xadrez, mas em contrapartida regride para os 5 anos de idade quando a pessoa próxima a ela é sequestrada.

Outro ponto contra é da autora perder muito tempo detalhando a vida dos personagens, inclusive dos secundários. Vejamos e convenhamos que não faz sentido saber da vida do garçom do café ou do zelador da clínica se estes não são importantes para a trama. Até mesmo personagens essenciais como o navy seal Miller tem a vida destrinchada ao extremo, algo que chega a ser cansativo.

O vilão também fica evidente logo no início, assim como sua motivação; por essas e outras não dá para considerar o livro como um gênero policial sério. Até porque, a própria Allende deu várias entrevistas que não gosta do gênero (acha repulsivo, violento e sombrio) e que só escreveu esse livro como uma brincadeira, para ver no que dava, e que foi preciso muita ironia e deboche para concluir o projeto.

Ah! Vale ressaltar que a autora faz menção a várias obras literárias e cinematográficas ao longo do livro, como a saga “Crepúsculo” e a trilogia “Millennium”, e a “A Espera de um Milagre” e a “Cinquenta Tons de Cinza”.

Valeu a leitura como uma distração e para ver como a autora se sairia em um campo totalmente desconhecido, mas fico agradecida que ela não vá mais se aventurar por esse caminho; acho que ela não leva jeito. ;-)

Abaixo outros livros já resenhados da autora: