quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Uma linda história de superação (Kelly Santos)


Esse livro é para qualquer um que já perdeu alguém amado, para quem já acordou chorando e foi para a cama da mesma forma, para quem teve que aprender que está ok em não estar bem. Sobreviver não é força, é continuar a respirar um dia de cada vez; força é aprender a viver apesar da dor.
                                                                                                       Jasinda Wilder


Nossa avaliação - 9.0
"Louco por você" é um livro para mexer com qualquer estrutura emocional e desde a dedicatória já dá pra perceber que o clima do livro é mais pesado do que os livros que estamos acostumadas a ler do gênero romance. Acredito que até mesmo a mais durona de nós (eu, por exemplo) não conseguirá chegar ao final da história sem ter derramado algumas lágrimas pelo caminho.

Imagine conhecer o amor de sua vida desde a maternidade. Imagine que ele sempre foi o seu melhor amigo, aquela pessoa que é o centro do seu universo, seu ponto de referência, parte de você. Imagine que um belo dia vocês se olham e se dão conta de que existe algo mais entre vocês: que além de melhores amigos, serão o primeiro beijo um do outro, o primeiro amor, o primeiro tudo. Imagine a alegria e o prazer de descobrir cada nova sensação ao lado de uma pessoa em quem você confia plenamente, quem você sabe que irá te amar para sempre! 

Mas e se, por um capricho do destino, a vida decide levar de você essa pessoa de uma maneira brutal? E se, para complicar ainda mais essa tormenta de sentimentos, a única pessoa capaz de ajudar você a superar esse trauma é ninguém menos que o irmão mais velho do seu namorado morto, que por sinal é tão problemático quanto você e já passou por experiências muito mais complexas e pesadas, mas que encontrou na música uma maneira de expressar seus sentimentos e lidar com as frustrações da vida?

É assim que a emocionante e comovente história de Nell se inicia. E por mais que eu tenha lido, relido, chorado e tentado imaginar viver uma situação como a dela, juro que não há como imaginar como lidaria com isso e se faria algo diferente do que ela faz na história

A jornada de ambos é comovente. Juntos, eles lentamente tentam se curar e se sentem próximos um do outro como nunca se sentiram de outras pessoas, principalmente por serem personagens imperfeitos, complexos e moldados pelas dificuldades do passado e suas próprias tragédias pessoais. Colton ensina a Nell que está tudo bem deixar a emoção e a dor fluir, está tudo bem chorar e deixar-se sentir. Eles se tornam âncora um do outro, mesmo que inicialmente isso ocorra com relutância e cautela. E então, a atração entre ambos se intensifica e eles se agarram um ao outro em busca de conforto, força, amor e paixão, desenvolvendo uma forte e intensa conexão tanto física quanto emocional. 

O livro é bem escrito e é uma bonita trágica história sobre perda, sobre como lidar com a morte, como se reerguer, como se apaixonar de novo, como se permitir amar e ser amado. Narrado principalmente pela Nell, mas também com pontos de vista de Colton, que enriquecem ainda mais a narrativa, é como se autora encontrasse a voz de cada um e conseguisse externar exatamente o que se passa dentro da cabeça de ambo.

Jasinda Wilder lida com temas pesados, como a automutilação, mas os trata com uma sensibilidade ímpar sem se estender demais nas passagens ou no tamanho do livro, nos dando tempo suficiente para que a conexão com os personagens se dê de uma forma simples e natural. E apesar de ser uma leitura emocionante, também traz momentos para suspirar e rir, assim como momentos bem quentes, de paixão, com cenas hot escritas de forma muito sensual.

Aqui no Brasil, o livro foi lançado pela editora Novo Conceito e tem 272 páginas. Não deixem de conferir!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Quando você é afligido pela doença que precisa combater! (Renata Lima)



Voltamos hoje com mais um livro policial do selo Vestígio, anteriormente Vertigo, da editora Autêntica. Dessa vez, o livro é "Na Mente, o Veneno" da autora francesa Andrea H. Japp, pseudônimo de Lionelle Nugon-Baudon, que criou uma série baseada na personagem Diane Silver, sendo esse o primeiro livro!

Nossa Avaliação - 7.5
Como sou fã da série Criminal Minds, esse livro me interessou muito porque Diane Silver é uma profiler do FBI com um passado bem traumático: sua filha foi vítima de um serial killer que filmou todas as torturas e até a morte da menina. 

Arrasada e destruída, Diane Silver passa por um longo processo de auto-destruição até ressurgir das cinzas, como uma Fênix, mas obviamente sendo uma pessoa muito diferente do que um dia foi.

Através de flashbacks, conhecemos o passado e a transição de Diane até os dias atuais, incluindo os amigos, e inimigos, que ela fez ao longo desses anos. Amarga, sarcástica, inteligente, mas extremamente profissional, Diane é o tipo de personagem que amamos odiar, principalmente quando se trata de sua postura diante dos outros policiais com os quais ela é obrigada a conviver.

A história desse livro gira em torno de dois serial killers: um que mata prostitutas nos EUA e outro que deixa rastros tanto nos EUA quanto no México e na França. Mas é através de um de seus únicos e mais antigos amigos que a doutora Silver é introduzida nesse segundo caso, trazendo toda a ação que a narrativa precisa para engrenar e ficar cheia de elementos eletrizantes que fazem com que o livro praticamente vire um filme de suspense!

O desenrolar do caso é incrível, mas o ponto alto do livro é mesmo a mudança pela qual a personagem principal passou ao longo dos anos e seu novo modo de ver os assassinos e psicopatas, fazendo-nos questionar se ela mesma não pode ter se perdido na loucura da dor, apesar de seus brilhantes momentos de lucidez e brilhantismo. Não há mais como justificar os psicopatas. Não existem mais justificativas para a doutora Silver: seu único objetivo é tirar esses marginais de circulação!

Mas como nem tudo é perfeito, algumas coisas me decepcionaram no livro e a principal delas foi o fato de ter descoberto o serial killer tão cedo por causa das pistas que a autora e a própria Diane Silver vão jogando ao longo da narrativa. Outro motivo foi que, para embasar a teoria da doutora Silver, a autora optou por incluir na trama jovens sem quaisquer problemas com os pais ou com a Sociedade que descambam pelo caminho do mal e se tornam (ou já nasceram assim) psicopatas assassinos. 

No mais é um livro muito interessante de uma série que promete melhorar ao longo dos livros conforme a autora explora não só a mente dos maus, mas também a dos bons, mas principalmente os anos escuros da doutora Silver. Afinal de contas, ter um lado humano é ou não necessário para uma profissão como essa? O consenso diz que sim, mas o que acontece quando a sua vida é arrasada por um dos monstros que você deveria combater?

O livro dois, "Amarga Vingança" já saiu no Brasil e pretendo ler essa continuação antes do fim do ano! Volto com novidades!

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O início da trilogia verão! (Lucyclenia)


A maioria das pessoas não veem a hora de chegar logo as férias para curtir, descansar, aproveitar cada minuto sem se preocupar com suas obrigações. Mas para Belly as férias de verão são MUITO mais que isso.

Nossa avaliação - 9.0
Desde sempre sua vida é quase uma tortura durante boa parte do ano e é durante as férias que ela, sua mãe e seu irmão, Steven, vão para a casa de praia de Susannah, a melhor amiga de sua mãe. Lá, Belly é livre pra curtir a sua vida como bem quer: ao lado dos filhos de Susannah, Conrad e Jeremiah. As coisas sempre pareciam melhores quando estava na praia com os meninos, comendo com as mães ou simplesmente nadando à noite.


Mas no verão apresentado no livro, as coisas estão diferentes do que costumavam ser. Susannah, uma das pessoas preferidas de Belly, está lutando contra o câncer, e o amor de Belly pelo amigo Conrad só aumentou. Mal sabe ela o que lhe aguarda durante essas tão esperadas férias com o clima ligeiramente diferente em Cousins Beach. 

Perto de completar 16 anos, Belly não é mais uma menininha birrenta (quer dizer, mais ou menos) implorando pela atenção dos meninos. Mas assim como ela, Steven, Conrad, Jeremiah e até sua amada Susannah parecem estar mudando. De alguma forma parece que o encanto está prestes a se quebrar, mas ela se recusa a deixar tudo acabar sem tirar o máximo de proveito.

Na trama é tratado aquele tema adolescente da puberdade, quando as meninas começam a se sentir diferentes, “mudadas”, que é quando Belly vê que está crescendo e seus desejos só fazem aumentar. Eu gostei muito do tema, pois é algo que todas as adolescentes se identificam e quem já passou por essa fase também entende, inclusive o relacionamento difícil entre mãe e filha. O livro trata do assunto de forma leve, meiga, simples, realista e agradável.

Narrado em primeira pessoa, os capítulos são intercalados entre o presente e os verões passados, o que também me agradou, ficando assim mais fácil de entender toda a trama. Jenny Han fez personagens pelos quais você facilmente se apaixona, onde você se pega se lembrando de alguns de seus conhecidos, com tamanha semelhança que é possível enxergar a nossa realidade. 

E há também o ingrediente que não podia faltar: romance. Algo notável é o fato de que Belly é apaixonada por Conrad, mas isso não a impede de aproveitar sua vida. Ela não se prende apenas ao sofrimento de que ele talvez não a ame, ao contrário, seu primeiro beijo foi com Jeremiah e ela tem um pequeno caso com Cam – um garoto que ela conheceu melhor durante as férias. Acompanhar os desdobramentos dos relacionamentos amorosos é interessante, mas a história vai além e trata com delicadeza as questões de amizade, conquistas, perdas e expectativas – tudo pertinente a fase da vida da protagonista.

O livro é ótimo. Traz à tona todos aqueles sentimentos que tínhamos ou temos quando adolescentes e ainda nos faz sentir aquele gostinho do verão. 

Com uma leitura rápida, personagens significativos e uma trama relaxante e atraente, é uma excelente obra para se ler no clima das férias e nos deixa aquela nostalgia gostosa.

“Foi um verão que eu nunca mais esqueci. Foi o verão em que tudo começou. Foi o verão em que fiquei bonita. Porque, pela primeira vez, me senti assim, bonita. Em todos os verões até este, eu acreditava que as coisas seriam diferentes. A vida seria diferente. E naquele verão finalmente foi. Eu fiquei diferente.”
Volto em breve com o segundo livro da série!

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Romance água com açúcar com uma pitada de comédia (Renata Lima)


Hoje voltamos a falar dos irmãos Sullivans da série Os Sullivans de Bella Andre publicada aqui no Brasil pela Novo Conceito. Como esse é o oitavo livro, se você ainda não leu nenhum sugiro voltar lá atrás nas resenhas de "Um Olhar de Amor" e "Por Um Momento Apenas". Se você já leu e parou na metade, sugiro dar uma olhada na resenha do livro que você parou. Aqui tem "Não Posso me Apaixonar" e "Só Tenho Olhos pra Você" e aqui tem "Se Você Fosse Minha", "Quero Ser Seu" e "Perto de Você".

É importante lembrar que são 8 irmãos, então esse livro praticamente encerraria a história de todos os irmãos da família Sullivan, mas a autora resolveu continuar a série falando da matriarca da família Sullivan, Mary, e de primos distantes que apareceram uma vez ou outra durante a série em cerimônias de casamento, natais etc.

Nossa avaliação - 7.5
No livro de hoje, "Em Meus Pensamentos", conhecemos a história da Mazinha Lori Sullivan, gêmea da Boazinha Sophie (que tem a história contada no livro 04). 

Lori sempre foi a mais espevitada dos Sullivan. Decidida e hiperativa, Lori é coreógrafa e bailarina de artistas famosos, mas um revés em sua vida pessoal a leva até uma cidadezinha do interior onde ela descobre que o cowboy Grayson Tyler (olha essa capa!) precisa de uma pessoa para trabalhar como faz-tudo em sua fazenda.

Apesar da falta de experiência de Lori, Grayson a desafia a executar várias tarefas e se ela for bem-sucedida ficará com a vaga. Para sua completa surpresa, a obstinação de Lori faz com que ela passe nos testes e ele agora precisa aturar essa mulher linda dentro de sua própria casa.

Se por um lado a convivência dos dois é cheia de momentos conflitantes, Lori demonstra ter a personalidade forte que apareceu em todos os livros, não desistindo do objetivo de ficar na fazenda mesmo quando Grayson, tentando se livrar dela, a incumbe da árdua tarefa de limpar o cercado dos porcos. Grayson precisa que ela vá embora porque já teve o suficiente de sofrimento quando estava em Nova York e não está disposto a deixar Lori e sua beleza estonteante derreterem seu coração gelado.

O problema do livro, na minha opinião, está no motivo pelo qual Lori, uma mulher sempre tão independente e esperta, cogita desistir da carreira dos seus sonhos, abandona tudo e parte nessa jornada que a leva até Grayson. O relacionamento dela com o namorado já era criticado pelos irmãos em quase todos os livros e só anos depois ela descobriu que o cara era um canalha? E quando descobre, ela foge? Não faz sentido. Ela tinha um show em curso em Chicago!

Apesar desse probleminha, o livro é bom, tem partes muito engraçadas e momentos "own" como se espera de um livro de romance. Obviamente o livro engata a partir do momento que os dois resolvem finalmente ceder às tentações e cair nos braços um do outro. Daí em diante o livro flui bem rápido e a gente realmente passa a torcer para que o casal se entenda, para que Grayson consiga superar o que houve em seu passado e para que Lori acredite no amor, portanto não foi uma perda de tempo!

Como eu disse antes, o próximo livro contará a história da matriarca da família, mas a partir do 10o livro, Bella Andre vai explorar a história dos Sullivans de outros estados dos EUA. Não sei se vou seguir a série dos primos Sullivan, mas como ainda temos mais um livro dessa família de São Francisco, voltarei com pelo menos mais uma resenha para vocês!